Colóquio Habermas 2011

Local de realização:

Universidade Estadual de Londrina – Centro de Letras e Ciências Humanas
Rodovia Celso Garcia Cid (PR 445) Km 380
CEP 86.051-900 – Londrina – PR
Campus UEL – Anfiteatro Maior CCH

Programação:

QUARTA-FEIRA: 19/10/2011 (UEL)
19:00 – Abertura
19:15 – Conferência 1
Luiz Bernardo Araújo (UERJ) – Esfera pública pós-secular: tolerância ou reconhecimento?
20:45 – Conferência 2
Franciele Bete Petry (UFS) – Adorno e a possibilidade de superação da crítica à racionalidade instrumental

QUINTA-FEIRA: 20/10/2011
08:30 – 12:00 – Comunicações
12:00 – Almoço
14:00 – Mesa Redonda 1
Jovino Pizzi (UFPEL) – A racionalidade ético-comunicativa de Habermas: considerações a respeito do ponto de vista moral laico e suas implicações éticas
Giovanne Henrique Bressan Schiavon (UEL) – A crítica de Habermas ao sistema de direitos weberiano
16:00 – Intervalo
16:30 –  Mesa Redonda 2
Clóvis Ricardo Montenegro de Lima (IBCIT) – O DISCURSO DE HABERMAS E OS SISTEMAS EM LUHMANN: CONSIDERAÇÕES PARA UMA ÉTICA DA ADMINISTRAÇÃO DE ORGANIZAÇÕES.
Charles Feldhaus (UEL) – Considerações sobre Habermas e o projeto kantiano de uma Paz Perpétua
19:15 – Conferência 1
Adriano Correia (UFG) – O conceito de ação em Hannah Arendt: expressivo, comunicativo ou trágico?
20:15 – Conferência 2
Roberto Wu (UFSC) – O abismo sob a ponte: os limites da controvérsia entre Gadamer e Habermas

SEXTA-FEIRA: 21/10/2011
08:30 – 12:00 – Comunicações
12:00 – Almoço
14:00 – Mesa Redonda 1
Marcos Nalli (UEL) – FOUCAULT INCORRE EM CONTRADIÇÃO PERFORMATIVA?
Notas marginais à interpretação habermasiana da crítica foucaultiana à Modernidade
José Fernandes Weber (UEL) – “Nietzsche perdeu sua capacidade de contagio”: sobre a crítica de Habermas à Nietzsche*
16:00 – Intervalo
16:30 – Mesa Redonda 2
Aguinaldo Pavão (UEL) – Moralidade, autonomia e heteronomia em Kant e Habermas
Frederico Lopes de Oliveira Diehl (UEL) – Uma possível resposta de Hobbes às críticas de Habermas em Faktizität und Geltung
19:15 – Conferência 1
Robinson dos Santos (UFPEL) – INTERAÇÃO E CONFLITO: AS OBJEÇÕES DE HONNETH À TEORIA SOCIAL DE HABERMAS
20:00 – Conferência 2
Marciano Adílio Spica (UNICENTRO) – Validade e correção de normas morais: uma discussão a partir de Habermas e Wittgenstein
22:00 – Encerramento

Resumos e minicurrículos:

1) Marciano Adílio Spica (UNICENTRO) – Validade e correção de normas morais: uma discussão a partir de Habermas e Wittgenstein

RESUMO: Em Verdade e Justificação Habermas defende uma posição cognitivista anti-realista a respeito da validade de normas morais. Da mesma forma que Wittgenstein, ele entende que os enunciados morais não devem ser equiparados a sentenças descritivas porque estas nos mostram como um determinado estado de coisas é enquanto aos juízos e regras morais falta essa “conotação ontológica da validade veritativa”. Mesmo assim, o filósofo propõe que a validade das normas e juízos morais pode ser entendida como análoga à verdade, enquanto validade absoluta. A validade das normas morais, então não se daria numa relação de comparação com fatos do mundo, mas através de um consenso normativo; ela é o reconhecimento universal da norma que se dá em virtude da capacidade de obter um consentimento da vontade daqueles a quem ela se dirige. Tentaremos, neste trabalho, mostrar, os benefícios e dificuldades que essa idéia habermasiana pode trazer paras as reflexões sobre a moralidade, comparando as idéias deste autor com as reflexões de Wittgenstein sobre seguir regras.

Currículo Resumido: Marciano Adílio Spica – Possui doutorado em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Catarina (2009), Mestrado em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Catarina (2005), graduação em Filosofia pela Universidade de Passo Fundo (RS). Foi professor substituto da Universidade Federal de Santa Catarina entre Agosto de 2005 e maio de 2007 e Professor Auxiliar B na Escola Superior de Educação Corporativa (ESEC), em São José- SC. Foi professor colaborador na Universidade estadual do oeste do Paraná (Unioeste) – campus de Toledo entre Maio de 2007 a Dezembro de 2008.Atualmente é professor Adjunto na UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CENTRO- OESTE DO PARANÁ -UNICENTRO, com dedicação exclusiva. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Ética e Filosofia Política, Filosofia da linguagem, História da Filosofia e Filosofia da religião. Possui vários artigos publicados em revistas brasileiras, bem como capítulos de livros. Foi coordenador do comitê de ética em pesquisa da UNICENTRO.
2) INTERAÇÃO E CONFLITO: AS OBJEÇÕES DE HONNETH À TEORIA SOCIAL DE HABERMA –Robinson dos Santos (UFPEL)

RESUMO: Habermas propôs, através de sua teoria da ação comunicativa um conceito de racionalidade de amplo alcance. Sem rejeitar o diagnóstico operado por Adorno e Horkheimer, no qual chamaram a atenção para o problema da racionalidade instrumental, Habermas quer sinalizar, por um lado, para a aporia que se apresenta na “leitura” que ambos fazem da sociedade e, por outro, oferece outra via, por meio da racionalidade comunicativa, para pensar a sociedade desde seus âmbitos de ação diferenciados: sistema e mundo da vida. A partir da leitura habermasiana, a sociedade se estrutura em torno de duas formas de racionalidade: a instrumental, pela qual o sistema é organizado em sua lógica interna e a comunicativa, presente no mundo da vida, onde se dá a reprodução simbólica da sociedade. No entanto mesmo com este significativo desdobramento e ampliação do conceito de racionalidade, Habermas parece continuar tributário do chamado “déficit sociológico” da teoria crítica. É esta a constatação que Axel Honneth apresenta em suas interlocuções com tanto com a Teoria Crítica, quanto com o pensamento de Habermas. Para ele não é suficiente demonstrar os tipos de racionalidade que imperam nas duas esferas da sociedade, mas sim também qual é o princípio de mediação que faz parte da ação social. Para Honneth este princípio é o conflito e em sua obra Luta por reconhecimento ele desenvolve os argumentos, tanto para suas objeções a Habermas, quanto em defesa de uma nova teoria social. O presente trabalho visa reconstruir esta crítica de Honneth a Habermas e identificar os argumentos que estruturam sua proposta, sobretudo na obra acima citada.

Currículo Resumido: Robinson dos Santos – possui graduação em Filosofia pela Universidade de Passo Fundo (1998), mestrado em Educação pela Universidade de Passo Fundo (2001), com bolsa concedida pela CAPES. Doutor em Filosofia pela Universidade de Kassel – Alemanha (2007), com bolsa concedida pelo Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (Deutscher Akademischer Austausch Dienst – DAAD). Atualmente é professor no Departamento de Filosofia e no Programa de Pós-graduação em Filosofia, bem como Coordenador do Curso de Filosofia da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL).
3) Franciele Bete Petry (UFSS) – Adorno e a possibilidade de superação da crítica à racionalidade instrumental

RESUMO: Partindo da crítica de Habermas ao modo como Adorno e Horkheimer compreenderam o conceito de razão, o trabalho pretende mostrar porque ela se mostra equivocada, principalmente, ao se levar em consideração o desenvolvimento posterior da obra de Adorno. Assim, na Teoria estética é possível identificar uma racionalidade estética que se apresenta alternativa à racionalidade instrumental, conferindo à arte a capacidade de proporcionar um tipo de conhecimento isento de dominação e violência na medida em que reúne elementos racionais e miméticos, tornando o conteúdo da obra de arte passível de juízos de verdade ou falsidade.

Currículo Resumido: Franciele Bete Petry – Possui graduação em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Catarina (2004), mestrado em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Catarina (2007) e mestrado em Educação pela Universidade Federal de Santa Catarina (2007). É doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFSC na área de Ética e Filosofia Politica, com doutorado sanduíche CAPES-DAAD pela Johann Wolfgang Goethe Universität em Frankfurt am Main, Alemanha. Atualmente é professora Adjunta da Universidade Federal da Fronteira Sul.

4) Roberto Wu (UFSC) – O abismo sob a ponte: os limites da controvérsia entre Gadamer e Habermas

RESUMO: A recepção de Verdade e Método de Hans-Georg Gadamer por parte de Jürgen Habermas, apesar de esclarecedora sobre pontos-chaves da hermenêutica filosófica, é permeada por controvérsias e mal-entendidos. Embora Habermas tenha descrito certa vez Gadamer como aquele que “lança pontes”, é certo que essa característica é insuficiente de acordo com o primeiro do ponto de vista de uma crítica emancipatória. Na visão de Habermas, haveria na hermenêutica filosófica um otimismo correlativo ao papel do diálogo que não conseguiria resolver problemas resultantes de uma “comunicação sistematicamente distorcida”. Pretende-se, na presente comunicação, demonstrar que a leitura habermasiana não apreende adequadamente o alcance prático da hermenêutica proposta por Gadamer, porque: a) interpreta equivocadamente ou limitadamente conceitos-chaves como autoridade, conversação e aplicação, dentre outros; b) não possui uma base ontológica clara e definida, o que o faz transportar ao âmbito normativo e propositivo aspectos que pertencem ao âmbito fáctico da compreensão; c) possui uma interpretação da linguagem mais restrita que a proposta fenomenológica da hermenêutica; e d)  ainda está preso a liames preconceituais modernos, principalmente na relação entre os termos reflexão e método, embora filtrados com uma crítica parcial da filosofia da subjetividade e do iluminismo.

Currículo Resumido: Roberto Wu (UFSC) – possui graduação em Filosofia pela Universidade Federal do Paraná (2000), mestrado em Filosofia pela Universidade Federal do Paraná (2002) e doutorado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2006). Atualmente é professor do curso de filosofia na Universidade Federal de Santa Catarina e participa dos seguintes grupos de pesquisa: Núcleo de Investigações Metafísicas; na linha de pesquisa Estudos em Ontologia e Fenomenologia (UFSC), Fenomenologia, Ontologia e Hermenêutica; (UFPR) e; Hermenêutica e[m] Filosofia e Literatura; (UNISINOS). Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Hermenêutica, atuando principalmente nos seguintes temas: ética, liberdade, interpretação, ontologia, fenomenologia, arte e pesquisado o pensamento de autores como Heidegger, Gadamer, Nietzsche e Dostoiévski.

5) Título: O conceito de ação em Hannah Arendt: expressivo, comunicativo ou trágico?

RESUMO: Em um importante texto de 1976 intitulado “O conceito de poder em Hannah Arendt”, Jürgen Habermas buscou apropriar-se da teoria da ação de Hannah Arendt, mantendo-se, entretanto, a uma certa distância do que julgava ser os elementos aristotélicos na obra arendtiana. A Habermas interessava enfatizar o que ele denominou conceito comunicativo de poder. No início dos anos 1990 houve várias tentativas de intérpretes da obra arendtiana de aproximá-la de uma concepção agonístico-expressiva de ação, de matriz nietzscheana. Pretendemos examinar nessa apresentação a atualidade de tal debate e a possibilidade de aceder a uma concepção trágica de ação política na obra de Hannah Arendt, de matriz tanto aristotélica quanto nietzscheana.

Currículo Resumido: Adriano Correia (UFG) – Professor de filosofia da Universidade Federal de Goiás desde 2006, Adriano Correia graduou-se em filosofia na PUC-Campinas em 1995 e concluiu o doutorado em filosofia na Universidade Estadual de Campinas em 2002. Desenvolve pesquisas nas áreas de filosofia política, ética, história da filosofia, filosofia do direito e estética, discutindo principalmente os seguintes autores: Hannah Arendt, Michel Foucault, Immanuel Kant, Giorgio Agamben, Friedrich Nietzsche. Seu projeto atual de pesquisa visa examinar a relação entre natureza e política na modernidade. É lider do Grupo de Pesquisa Filosofia Política, Filosofia do Direito e Ética e atual coordenador do Grupo de Trabalho em Filosofia Política Contemporânea, da Anpof. Publicou vários artigos em periódicos especializados, assim como capítulos de livros e traduções de textos filosóficos. Tem dois livros publicados, como organizador: Transpondo o abismo: Hannah Arendt entre a filosofia e a política; (Forense Universitária, 2002),;Hannah Arendt e a condição humana; (Quarteto, 2006). Como co-organizador, publicou, junto com Mariangela Nascimento; Hannah Arendt: entre o passado e o futuro; (Ed. UFJF, 2009). Publicou ainda o livro; Hannah Arendt; (Ed. Jorge Zahar, 2007). Recentemente, em 2010, fez a apresentação e revisou a tradução da obra; A condição humana; de Hannah Arendt.

6) Luiz Bernardo Araújo (UERJ) – Esfera pública pós-secular: tolerância ou reconhecimento?

RESUMO: Habermas se destaca no atual cenário da filosofia moral e política pela capacidade de integrar múltiplos aspectos da questão da religião na esfera pública e pela originalidade de suas intervenções nos debates provocados por uma interpretação restritiva do papel político da religião, situando e examinando os argumentos exclusivistas e inclusivistas no contexto mais amplo das descrições genealógicas rivais da modernidade ocidental, das controvérsias envolvendo sua autocompreensão pós-metafísica e não religiosa. Pretendo demonstrar que sua posição favorável a um inclusivismo mais forte do que a abordagem padrão representada pela ideia rawlsiana de razão pública decorre tanto da interpretação pós-secular do moderno conceito de tolerância quanto da avaliação crítica, mas positiva, da chamada política do reconhecimento.

Currículo Resumido: Luiz Bernardo Leite de Araújo – (UERJ)  concluiu o Doutorado em Filosofia na Université Catholique de Louvain (Bélgica) em 1991 e realizou estágios de Pós-Doutorado na mesma instituição (1998) e na State University of New York (2001-2002). Atualmente é Professor Adjunto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Atua na área de Filosofia, com ênfase em Ética e Filosofia Política.

7) Clóvis Ricardo Montenegro de Lima (IBCIT) – O DISCURSO DE HABERMAS E OS SISTEMAS EM LUHMANN: CONSIDERAÇÕES PARA UMA ÉTICA DA ADMINISTRAÇÃO DE ORGANIZAÇÕES.

RESUMO: A teoria de sistemas de Luhmann permite pensar as organizações como redutoras da complexidade do mundo da vida, com a finalidade de produzir e reproduzir riquezas e bem-estar. A redução da complexidade opera-se principalmente por uma estruturação monológica da comunicação, que tende a fazer da informação um mero operador funcional do sistema.  A teoria do discurso de Habermas aborda as relações entre interações, agir comunicativo e Discurso, e propõe processos e procedimentos de discussão argumentativa, a partir de situações de conflito de interesse e de poder, para acordar meios e modos de ações comuns. Discute-se a possibilidade de uma abordagem discursiva da administração das organizações, focada na aprendizagem, na melhoria de processos e na inovação. O Discurso poderia ampliar as possibilidades de racionalização nas organizações. Cabe indagar as condições do discurso argumentativo dentro dos sistemas. Por outro lado, questionam-se também os critérios de fundamentação discursiva dos acordos práticos. A noção de aprendizagem parece ser relevante para pensar o desenvolvimento organizacional, e ela tem peculiaridades se for pensada a partir de modelo contra-factual de “organizações onde se discute”. A inclusão dos participantes das organizações na argumentação pode aumenta a sua complexidade, que resulta de e em colaboração com autonomia e poderia aumentar os vínculos da organização com o mundo da vida.

Currículo Resumido: Clóvis Ricardo Montenegro de Lima – Graduado em Medicina na Universidade Federal de Santa Catarina (1986). Mestre (1992) e Doutor (2005) em Ciência da Informação na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mestre (1993) e Doutor (2000) em Administração na Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas. Pós-doutorado no Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (2010). Professor adjunto 2 da Universidade Federal de Santa Catarina (2006 a 2009). Atualmente é pesquisador adjunto do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia. Tem experiência nas áreas de Ciência da Informação e Administração. Tem abordado os seguintes temas nas suas pesquisas: agir comunicativo e discurso; trabalho imaterial, produção colaborativa e inovação; administração de organizações complexas. e informação em saúde.

8) Giovanne Henrique Bressan Schiavon (UEL) – A crítica de Habermas ao sistema de direitos weberiano

RESUMO: O presente estudo pretende descrever a argumentação de Habermas a respeito do sistema do direito weberiano, iniciando com a discussão sobre o direito enquanto motivo legítimo de justificação da ação social para na seção seguinte delinear a recepção crítica de Habermas do sistema do direito de Weber e seus elementos
centrais: (a).- O primeiro é a distinção da fonte formal, a norma enunciada, da norma em si considerada, o conteúdo interpretado. (b).- O segundo é que a validade do direito depende da instituição de um sistema de aplicação que garanta o caráter geral das normas por meio de sanções.

Currículo Resumido: Giovanne Henrique Bressan Schiavon  – (Londrina, 1974) Graduado (1996) e mestre (2002) em Direito pela Universidade Estadual de Londrina, doutor (2010) em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Ex-Professor do curso de graduação em direito da Faculdade Paranaense (FACCAR). Professor dos cursos de graduação e pós-graduação da Universidade Estadual de Londrina e da Pontifícia Universidade Católica do Paraná campus Londrina. Tem experiência na área de Teoria Geral do Direito, com ênfase em Filosofia do Direito e Direito Constitucional.

9) Jovino Pizzi (UFPEL) –  A racionalidade ético-comunicativa de Habermas: considerações a respeito do ponto de vista moral laico e suas implicações éticas

RESUMO: A ética de Habermas situa-se no contexto pós-metafísico e, por isso, se insere no horizonte de uma sociedade com sinais profundos de secularização. De acordo com Habermas, a compreensão moderna do mundo suplantou cosmovisões míticas, religiosas e metafísicas (1988, p. 101). Com a “dissolução” das justificativas mítico-narrativas, o sujeito assumiu a total responsabilidade pela “validez das pretensões suscetíveis de crítica (1988, p. 107). Essa possibilidade carrega um forte teor iluminista, uma vez que o sujeito está livre de qualquer imposição externa e é, portanto, autônomo.

Nessa perspectiva, a razão secular consegue apropriar-se, através dos recursos do pensamento pós-metafísico, dos conteúdos semânticos das tradições, sem renunciar jamais a autonomia que lhe é inerente. No entanto, essa razão secular sofre o risco de ser considerada uma falácia, pois demonstra certa impossibilidade para afiançar laços de solidariedade e motivações para a justiça, seja dentro dos Estados nacionais, nas relações interestatais ou até mesmo em questões supranacionais (Kaldor, 2005). Isso decorre principalmente em função do debilitamento de uma moral racional autônoma e laica. Embora esse déficit possa ser corrigido dentro dos limites do Estado constitucional democrático, através do direito positivo, mesmo assim, ela moral não consegue impulsionar uma ação coletiva solidária, ou seja, uma ação moralmente instruída. Essa é, sem dúvida, uma questão importante na hora de salientar o ponto de vista moral que ainda não desenvolveu seu autêntico potencial para educar para a justiça. Daí, então, a preocupação a respeito da moral pós-metafísica, cujos fundamentos laicos asseguram tanto os direitos fundamentais como os princípios do Estado de direito. Trata-se, pois de explicar esse ponto de vista moral e suas exigências de justiça social e de laços de solidariedade. Ela é eficiente em relação à “observância individual dos deveres”, mas parece ser um tanto incapaz de impulsionar o engajamento coletivo solidário, ou seja, não se atreve a preceituar uma “ação moralmente instruída.” Em decorrência, tolera a resignação dos sujeitos diante de injustiças e da não solidariedade.

Currículo Resumido: Jovino Pizzi é Licenciado e Bacharel em Filosofia (1983) e em Comunicação Social – Jornalismo (1992); mestre em Filosofia (PUCRGS, 1992) e doutor em Ètica y Democracia pela UJI (Espanha, 2002), onde foi pesquisador visitante por duas vezes (2005-2006 e 2007). Atualmente é professor da Universidade Federal de Pelotas, PPG em Filosofia e em Educação (mestrado e doutorado). Tem experiência na área de Filosofia Contemporânea, com ênfase na àrea da ética e em éticas aplicadas, com publicações na área (no Brasil, Europa e na América Latina). Autor de livros como: El mundo de la vida. Husserl y Habermas (Chile, 1995); O conteúdo moral do agir comunicativo (2005); Desafios éticos e políticos da cidadania (2006) – em conjunto com Cecília Pires; O mundo da vida. Husserl e a crítica de Habermas (2006); ética e éticas aplicadas. A reconfiguração do âmbito moral (2006); Organizador do livro Diálogo Cr?tico Educativo. Um debate filosófico (2008); Diálogo crítico-educativo II: o sujeito educativo (2009) e Pensamento Crético III. Utilitarismo e Responsabilidade (2011). A segunda edição do livro ética e responsabilidade social saiu em 2009. Traduziu diversos artigos e os livros: ética empresarial. Do diálogo à confiança (2008); Ética Intercultural (Re) Leituras do pensamento latino-americano (2010).

10) Charles Feldhaus (UEL) – Considerações sobre Habermas e o projeto kantiano de uma Paz Perpétua

RESUMO: Habermas aborda o projeto de Kant de uma paz perpétua em duas oportunidades, a saber,Der gespaltene Westen e Die Einbeziehung des Andes. No segundo livro, escrito em função da comemoração dos duzentos anos da publicação de Zum Ewigen Frieden de Immanuel Kant; ao passo que o primeiro livro busca avaliar o projeto original do filósofo de Konigsberg à luz das recentes tensões internacionais termina apresentando o dilema do direito internacional contemporâneo: Kant ou Karl Schmitt? Habermas acredita que algumas premissas empíricas da proposta de Kant de uma ordem mundial cosmopolita, de uma liga de Estados (repúblicas), são refutadas à luz dos eventos históricos ocorridos desde a sua formulação no final do século XVIII. Por conseguinte, o presente estudo pretende reconstruir as ideias centrais do projeto de Kant e as principais considerações críticas de Habermas nos dois livros supracitados e tentar realizar uma avaliação crítica das mesmas.

Currículo Resumido: Charles Feldhaus – Possui doutorado em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Catarina (2009). Atualmente é professor adjunto A da Universidade Estadual de Londrina. Coordenador da especialização latu sensu em filosofia moderna e contemporânea da UEL. Também é especialista em biossegurança pela UFSC. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Ética, atuando principalmente nos seguintes temas: boética, liberdade, legitimidade, liberalismo e arbítrio. Na UEL, leciona atualmente disciplinas na área de filosofia moderna, ética e filosofia política.

11) Aguinaldo Pavão (UEL) – Moralidade, autonomia e heteronomia em Kant e Habermas

RESUMO: Pretendo discutir os traços aparentemente heterônomos da reflexão prática habermasiana em comparação com a filosofia moral de Kant. A reivindicação de Habermas de que uma norma válida tem de ser aceita por todos os concernidos sem coerção parece nos conduzir à ideia de “macro-sujeito” das ações. Por certo, alguém poderia alegar, em favor de Habermas e contra Kant, que conceber os ajuizamentos morais a partir de uma reflexão solitária e auto-suficiente representa uma evasão do próprio exame racional a que esta reflexão deve estar submetida. Se penso que a minha perspectiva, desde cujo ponto de vista avalio a universalização das máximas, prescinde do diálogo com os possíveis afetados pela adoção de determinada ação, então tudo neste caso dependeria de minha própria escala de valores. Neste caso, eu me furtaria à avaliação intersubjetiva, o que, supõe-se, seria um requerimento básico da racionalidade da ação. A alegação consistiria em dizer, em resumo, que as minhas convicções morais não podem sustentar todo o peso da validade moral. Ora, em favor de Kant pode-se responder a isso da seguinte forma: embora a sua ética não seja dialógica, ela pode sim ser uma ”ética do diálogo”. A comunicação terá como objetivo justamente defender essa alternativa como a melhor forma para conservarmos a autonomia da moralidade.

Currículo Resumido: Aguinaldo Pavão – possui graduação em Filosofia pela Universidade de Passo Fundo (1991), mestrado em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1998) e doutorado em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas (2005). Atualmente é professor adjunto da Universidade Estadual de Londrina. Suas pesquisas dirigem-se principalmente à filosofia prática de Kant. Outros autores de interesse: Aristóteles, Descartes, Hobbes, Hume e Schopenhauer.
12) José Fernandes Weber – “Nietzsche perdeu sua capacidade de contagio”: sobre a crítica de Habermas à Nietzsche

RESUMO: Tendo por referência o capítulo IV de O Discurso filosófico da modernidade, intituladoEntrada na pós-modernidade: Nietzsche como ponto de virada, e do texto A crítica niilista do conhecimento em Nietzsche, ambos de Habermas, o propósito da comunicação consiste em: 1º. Verificar a plausibilidade da leitura de Nietzsche por Habermas, segundo a qual: a) a teoria nietzscheana da arte é metafísica; b) a teoria nietzscheana da vontade de poder representa a versão metafísica do princípio disonisíaco; c) em sua crítica da linguagem e do conhecimento, Nietzsche, diferentemente do que se propõe, não apenas não supera o posicionamento transcendental kantiano do conhecimento, mas antes, radicaliza-o, porém, de um modo inconseqüente e ambíguo; 2º. Testar a interpretação habermasiana, introduzindo temas e problemas, presentes nas obras de Nietzsche, não considerados por Habermas em sua crítica. Assim, buscar-se-á dar destaque para os aspectos problemáticos do pensamento de Nietzsche, apreendidos por Habermas, contudo, sem deixar de apontar também para os aspectos problemáticos da leitura de Habermas, que serão apontados pela referência a aspectos do pensamento nietzscheano simplesmente desconsiderados na crítica.

Curriculo Resumido: Graduado em Filosofia pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE (1996); Mestre em Educação (Filosofia da Educação) pela Universidade Estadual de Maringá – UEM (2000); Mestre em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP (2003) e Doutor em Educação (Filosofia da Educação) pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP (2008). Professor Titular (Adjunto B) do Departamento de Filosofia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Atua principalmente na Graduação em Filosofia e na Pós-Graduação (Mestrado) em Filosofia e em Educação na UEL. TEMAS de interesse: Subjetividade, Singularidade, Arte, Formação (Bildung), Trágico, Pulsão, Representação, Niilismo, Imaginação; ÁREAS: Estética, Antropologia Filosófica, Filosofia e Educação; AUTORES: Romantismo Alemão, Hölderlin, Schopenhauer e Nietzsche.                                                                                                                                                             
13) Marcos Nalli – FOUCAULT INCORRE EM CONTRADIÇÃO PERFORMATIVA?

Notas marginais à interpretação habermasiana da crítica foucaultiana à Modernidade

Resumo: O objetivo com a presente comunicação é demonstrar qual o sentido e se de  fato a crítica de Habermas dirigida à abordagem filosófica foucaultiana é ou não procedente. Para tanto, inicialmente reconstruiremos os principais passos da argumentação habermasiana, principalmente no livro  O Discurso Filosófico da Modernidade (Der Philosophische Diskurs der Moderne, 1985). Em seguida, contraporemos tais argumentos aos próprios argumentos de Michel Foucault de modo a verificar a exatidão dos argumentos habermasianos. E, por fim, procuraremos demonstrar que, contrário à Habermas, Foucault não incorre em contradição, mas sim que desenvolve outras estratégias argumentativas, pragmaticamente válidas.

14) Frederico Lopes de Oliveira Diehl – Uma possível resposta de Hobbes às críticas de Habermas em Faktizität und Geltung.

RESUMO: No capítulo III do volume I de Direito e democracia: entre facticidade e validade, intitulado “Para a reconstrução do direito (I): o sistema dos direitos”, Jürgen Habermas estabelece uma série de críticas à fundamentação hobbesiana de Estado. Thomas Hobbes é escolhido o autor a ser combatido pois dele deriva a noção de que as regras de direito privado – especialmente as concepções de propriedade e de contrato – seriam as bases para a formação do direito em geral (Cf. Direito e democracia, p. 48). De acordo com Habermas, a proposta de contrato social formulada por Hobbes não seria capaz de engendrar uma sociedade democrática, uma vez que o embate de interesses não poderia gerar ordem na sociedade. Fundamentalmente, Habermas entende Hobbes mais como um teórico do Estado burguês não democrático do que um defensor do absolutismo (cf. Direito e democracia, pp. 122-123). O argumento de Habermas é que a ordem social só seria viável a partir da ação comunicativa, e não a partir do modelo contratualista inaugurado por Hobbes. A partir disso, a presente conferência tem como objetivo analisar as críticas que Habermas tece a Hobbes no referido texto, bem como apresentar possíveis respostas de Hobbes às mencionadas críticas habermasianas

Currículo Resumido: Professor de filosofia política na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Doutorando em filosofia na Universidade de São Paulo. Mestre em filosofia pela Universidade de São Paulo (2009). Bacharel em filosofia pela Universidade de São Paulo (2006) e bacharel em direito pela Universidade de São Paulo (2002). Editor dos “Cadernos de Ética e Filosofia Política” do Departamento de Filosofia da USP. Atua principalmente nos seguintes temas: filosofia política, Estado moderno, filosofia do direito, jusnaturalismo.

15) Milene Consenso Tonetto (UFSC) –  Os direitos e a ética do discurso de Habermas 

RESUMO: O objetivo desta comunicação é examinar a possível ligação entre as condições estabelecidas por Habermas como pressupostos do discurso e os direitos fundamentados em seu sistema de direitos. Como se sabe, Habermas postula quatro condições de uma situação ideal de fala. Quando ele comenta essas condições em Teoria da ação comunicativa: complementos e estudos prévios, ele explicitamente usa a linguagem dos direitos: “O postulado do igual direito de fala, formulado na segunda condição, descreve a propriedade formal que todos os discursos têm que ter para desempenhar a força de uma motivação racional”. Um dado importante a ser observado emDireito e Democracia é que justamente os quatro primeiros grupos do sistema de direitos fundamentais reconstruídos por Habermas, a saber, os direitos que asseguram igualdade de participação em processos de formação da opinião e da vontade, nos quais as pessoas exercitam sua autonomia política e através dos quais eles criam o direito legítimo são fundamentados de forma absoluta. Desse modo, defende-se que os direitos absolutos são condições necessárias para realização da ação comunicativa.

Currículo Resumido: Possui graduação (Bacharelado e Licenciatura) em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Catarina (2004), Mestrado (2006) e Doutorado (2010) em Filosofia pela mesma instituição. Em 2009, fez estágio doutoral (sanduíche) na Michigan State University (USA), sob orientação de Frederick Rauscher. Tem experiência na área de Ética e Filosofia Política, atuando principalmente nos seguintes temas: Habermas, ética discursiva, Kant, direitos humanos e fundamentação do direito.

Anais do Colóquio Habermas 2011

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